8 DE MARÇO: OBJETIVO DA DATA
Ao ser criada esta data, não se pretende apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.
8 DE MARÇO: CONQUISTAS E LIMITES
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.
Assegurado o direito de voto, infelizmente o direito de ser votada ainda está longe da efetiva representação da mulher na sociedade. No Brasil e no mundo, embora seja maioria da população, a mulher ainda tem presença tímida nos poderes legislativo e executivo. Na Câmara Federal, por exemplo, entre os 513 deputados, menos de 10% são mulheres.
Conquistas das Mulheres na História
1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
1859 - Surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
1862 - Durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
1865 - Na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.
1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.
sábado, 11 de abril de 2009
DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES
8 de março:Uma data de muitas histórias e lutas
As comemorações do 8 de março estão mundialmente vinculadas às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e sociedades mais justas e igualitárias. Essa luta é antiga e contou com a força de inúmeras mulheres que nos vários momentos da história da humanidade resistiram ao machismo e à discriminação.
É a partir da Revolução francesa, em 1789, que as mulheres passam a atuar na sociedade de forma mais significativa, reivindicando a melhoria das condições de vida e trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos entre os sexos.
É nessa época que surge o nome da francesa Olympe de Gouges. Em 1791, ela lança a "Declaração dos Direitos da Cidadã", onde reivindicava o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo suas capacidades". Afirmava também que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve poder subir também à tribuna". Olympe de Gouges foi julgada, condenada à morte e guilhotinada em 3 de março de 1793, por "ter querido ser um homem de estado e Ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo". Nesse mesmo ano, as associações femininas foram proibidas na França.
Revolução Industrial
Na Segunda metade do século XVIII, as grandes transformações ocorridas no processo produtivo e que resultaram na Revolução Industrial, trouxeram consigo uma série de reivindicações até então inexistentes. A absorção do trabalho feminino pelas indústrias, como forma de baratear os salários, inseriu definitivamente a mulher no mundo da produção. Ela passou a ser obrigada a conviver com jornadas de trabalho que chegavam até 17 horas diárias, em condições insalubres, submetidas a espancamentos e ameaças sexuais constantes, além de receber salários que chegavam a ser 60% menores que os dos homens.
Em exemplo típico do ambiente fabril na época era a tecelagem Tydesley, em Manchester, na Inglaterra, onde se trabalhava 14 horas diárias a uma temperatura de 29º, num local úmido, com portas e janelas fechadas e, na parede, um cartaz afixado proibia, entre outras coisas, ir ao banheiro, beber água, abrir janelas ou acender as luzes.
Luta Operária
Não tardaram a surgir, na Europa e nos Estados Unidos, manifestações operárias contrárias ao terrível cotidiano vivenciado e os enfrentamentos com o patronato e a polícia se tornaram cada vez mais freqüentes. A redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias passou a ser a grande bandeira dos trabalhadores industriais.
Em 1819, depois de um enfrentamento em que a polícia atirou com canhões contra os trabalhadores, a Inglaterra aprovou a lei que reduzia para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos. Foi também a Inglaterra o primeiro país a reconhecer, legalmente, o direito de organização dos trabalhadores. O parlamento inglês aprovou, em 1824, o direito de livre associação e os sindicatos se organizaram em todo o país.
Foi no bojo das manifestações pela redução da jornada de trabalho que 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova Iorque, cruzaram os braços e paralisaram os trabalhos pelo direito a uma jornada de 10 horas, na primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimidas pela polícia, as operárias, acuadas, refugiaram-se nas dependências da fábrica. No dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas da fábrica e atearam fogo. Asfixiadas, dentro de um local em chamas, as tecelãs morreram carbonizadas.
Durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada em 1910 na Dinamarca, a famosa ativista pelos direitos femininos, Clara Zetkin, propôs que o 8 de março fosse declarado como o Dia Internacional da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova Iorque. Em 1911, mais de um milhão de mulheres se manifestaram na Europa. A partir daí, essa data começou a ser comemorada no mundo inteiro.
Texto extraído de "8 de março, Dia Internacional da Mulher – Uma data e muitas histórias", de Carmen Lucia Evangelho Lopes.. CEDIM-SP/Centro de Memória Sindical.
As comemorações do 8 de março estão mundialmente vinculadas às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e sociedades mais justas e igualitárias. Essa luta é antiga e contou com a força de inúmeras mulheres que nos vários momentos da história da humanidade resistiram ao machismo e à discriminação.
É a partir da Revolução francesa, em 1789, que as mulheres passam a atuar na sociedade de forma mais significativa, reivindicando a melhoria das condições de vida e trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos entre os sexos.
É nessa época que surge o nome da francesa Olympe de Gouges. Em 1791, ela lança a "Declaração dos Direitos da Cidadã", onde reivindicava o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo suas capacidades". Afirmava também que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve poder subir também à tribuna". Olympe de Gouges foi julgada, condenada à morte e guilhotinada em 3 de março de 1793, por "ter querido ser um homem de estado e Ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo". Nesse mesmo ano, as associações femininas foram proibidas na França.
Revolução Industrial
Na Segunda metade do século XVIII, as grandes transformações ocorridas no processo produtivo e que resultaram na Revolução Industrial, trouxeram consigo uma série de reivindicações até então inexistentes. A absorção do trabalho feminino pelas indústrias, como forma de baratear os salários, inseriu definitivamente a mulher no mundo da produção. Ela passou a ser obrigada a conviver com jornadas de trabalho que chegavam até 17 horas diárias, em condições insalubres, submetidas a espancamentos e ameaças sexuais constantes, além de receber salários que chegavam a ser 60% menores que os dos homens.
Em exemplo típico do ambiente fabril na época era a tecelagem Tydesley, em Manchester, na Inglaterra, onde se trabalhava 14 horas diárias a uma temperatura de 29º, num local úmido, com portas e janelas fechadas e, na parede, um cartaz afixado proibia, entre outras coisas, ir ao banheiro, beber água, abrir janelas ou acender as luzes.
Luta Operária
Não tardaram a surgir, na Europa e nos Estados Unidos, manifestações operárias contrárias ao terrível cotidiano vivenciado e os enfrentamentos com o patronato e a polícia se tornaram cada vez mais freqüentes. A redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias passou a ser a grande bandeira dos trabalhadores industriais.
Em 1819, depois de um enfrentamento em que a polícia atirou com canhões contra os trabalhadores, a Inglaterra aprovou a lei que reduzia para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos. Foi também a Inglaterra o primeiro país a reconhecer, legalmente, o direito de organização dos trabalhadores. O parlamento inglês aprovou, em 1824, o direito de livre associação e os sindicatos se organizaram em todo o país.
Foi no bojo das manifestações pela redução da jornada de trabalho que 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova Iorque, cruzaram os braços e paralisaram os trabalhos pelo direito a uma jornada de 10 horas, na primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimidas pela polícia, as operárias, acuadas, refugiaram-se nas dependências da fábrica. No dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas da fábrica e atearam fogo. Asfixiadas, dentro de um local em chamas, as tecelãs morreram carbonizadas.
Durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada em 1910 na Dinamarca, a famosa ativista pelos direitos femininos, Clara Zetkin, propôs que o 8 de março fosse declarado como o Dia Internacional da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova Iorque. Em 1911, mais de um milhão de mulheres se manifestaram na Europa. A partir daí, essa data começou a ser comemorada no mundo inteiro.
Texto extraído de "8 de março, Dia Internacional da Mulher – Uma data e muitas histórias", de Carmen Lucia Evangelho Lopes.. CEDIM-SP/Centro de Memória Sindical.
"PROGRESSO DAS MULHERES NO MUNDO"
Lançamento do relatório global "Progresso das Mulheres no Mundo"
Relatório faz alerta para descumprimento dos ODMs (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) na perspectiva da igualdade entre homens e mulheres. Estudo expõe dados sobre a realidade das mulheres no mundo em áreas como mercado de trabalho e economia mundial, poder e decisão, saúde, educação, justiça e violência
As mulheres têm menos oportunidades de se tornar chefes. Enquanto um em cada oito homens tem condições de chegar à posição de chefia, a média entre as mulheres é de uma em cada 40. Essa é uma da série de constatações do relatório bianual do Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) "Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009" que será lançado hoje (30/3), às 14h, na Alerj (Assembleia Legislativa), no Rio de Janeiro. Com o tema "Quem responde às mulheres? Gênero e Responsabilização", a diretora executiva do Unifem, Inés Alberdi, fará o lançamento do relatório no Brasil, cujos dados avaliam o alcance dos ODMs (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) para a igualdade entre homens e mulheres.O "Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009" alerta para a possibilidade de descumprimento dos ODMs na perspectiva da igualdade de gênero até 2015, prazo em que todos os objetivos devem ser atingidos. Apesar de avanços como a redução de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia, aumento de matrículas nos ensinos primário e secundário e combate ao HIV/AIDS, o relatório verifica atraso na maioria dos ODMs. A redução das taxas de mortalidade materna é um dos ODMs mais difíceis de ser alcançado.O relatório confirma que a desigualdade de gênero é um dos fatores críticos para cumprimento dos ODMs. Conforme o estudo, a desigualdade de gênero não só reduz a capacidade de as mulheres pobres utilizarem o trabalho para sair da pobreza, como também afeta os aspectos não monetários da pobreza: ausência de oportunidades, opinião e segurança. Na esteira da crise financeira mundial, o "Progresso das Mulheres do Mundo 2008/2009" indica que as desigualdades e as discriminações de gênero, raça e condição socioeconômica vulnerabilizam mulheres, negros e pobres a choques econômicos, ambientais e políticos.Responsabilização O tema central do relatório - "Quem responde às mulheres? Gênero e Responsabilização" -, é abordado como grande questão para garantia dos ODMs e dos compromissos internacionais voltados às mulheres. Responsabilização significa avaliação do desempenho e imposição de ação corretiva ou de reparação nos casos em que os desempenhos das políticas públicas não forem adequados. Em relação às políticas para as mulheres, esse conceito propõe que as decisões do poder público devem ser avaliadas por homens e mulheres numa base de igualdade. No Brasil, são instrumentos de mensuração das políticas para as mulheres: Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres e Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O relatório cita o investimento do governo federal de R$ 1 bilhão para enfrentamento da violência contra as mulheres e a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) entre as inovações dos países para as políticas para as mulheres.
Relatório faz alerta para descumprimento dos ODMs (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) na perspectiva da igualdade entre homens e mulheres. Estudo expõe dados sobre a realidade das mulheres no mundo em áreas como mercado de trabalho e economia mundial, poder e decisão, saúde, educação, justiça e violência
As mulheres têm menos oportunidades de se tornar chefes. Enquanto um em cada oito homens tem condições de chegar à posição de chefia, a média entre as mulheres é de uma em cada 40. Essa é uma da série de constatações do relatório bianual do Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) "Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009" que será lançado hoje (30/3), às 14h, na Alerj (Assembleia Legislativa), no Rio de Janeiro. Com o tema "Quem responde às mulheres? Gênero e Responsabilização", a diretora executiva do Unifem, Inés Alberdi, fará o lançamento do relatório no Brasil, cujos dados avaliam o alcance dos ODMs (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) para a igualdade entre homens e mulheres.O "Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009" alerta para a possibilidade de descumprimento dos ODMs na perspectiva da igualdade de gênero até 2015, prazo em que todos os objetivos devem ser atingidos. Apesar de avanços como a redução de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia, aumento de matrículas nos ensinos primário e secundário e combate ao HIV/AIDS, o relatório verifica atraso na maioria dos ODMs. A redução das taxas de mortalidade materna é um dos ODMs mais difíceis de ser alcançado.O relatório confirma que a desigualdade de gênero é um dos fatores críticos para cumprimento dos ODMs. Conforme o estudo, a desigualdade de gênero não só reduz a capacidade de as mulheres pobres utilizarem o trabalho para sair da pobreza, como também afeta os aspectos não monetários da pobreza: ausência de oportunidades, opinião e segurança. Na esteira da crise financeira mundial, o "Progresso das Mulheres do Mundo 2008/2009" indica que as desigualdades e as discriminações de gênero, raça e condição socioeconômica vulnerabilizam mulheres, negros e pobres a choques econômicos, ambientais e políticos.Responsabilização O tema central do relatório - "Quem responde às mulheres? Gênero e Responsabilização" -, é abordado como grande questão para garantia dos ODMs e dos compromissos internacionais voltados às mulheres. Responsabilização significa avaliação do desempenho e imposição de ação corretiva ou de reparação nos casos em que os desempenhos das políticas públicas não forem adequados. Em relação às políticas para as mulheres, esse conceito propõe que as decisões do poder público devem ser avaliadas por homens e mulheres numa base de igualdade. No Brasil, são instrumentos de mensuração das políticas para as mulheres: Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres e Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O relatório cita o investimento do governo federal de R$ 1 bilhão para enfrentamento da violência contra as mulheres e a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) entre as inovações dos países para as políticas para as mulheres.
Marcadores:
DESIGUALDADE DE GÊNERO
MULHERES SEM ESPAÇO NO PODER
TENDÊNCIAS/DEBATES FSP: Mulheres sem espaço no poder
(8/3/2009)
Folha de São Paulo
JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES
Enquanto a aprovação popular às mulheres nas atividades públicas cresce, os partidos pouco fazem para se adaptar a essa realidade
MUITAS pessoas perguntam: para que serve o Dia Internacional da Mulher?Serve, por exemplo, para debater o déficit democrático de gênero, o pouco espaço das mulheres nas instâncias de poder e o fato de a presença feminina na política formal não ser proporcional à importância que as mulheres possuem na sociedade.Elas são maioria da população e do eleitorado, mas só representam 9% da Câmara Federal e cerca de 12% dos assentos nas Assembleias Legislativas. São, aproximadamente, 12% das Câmaras municipais e 9% dos Executivos municipais. O pátrio domínio do Legislativo, que vem desde a origem da República, tem se perpetuado pelos mecanismos da reeleição dos homens e do controle masculino sobre as direções dos partidos políticos.A exclusão das mulheres da política começou a mudar no dia 24 de fevereiro de 1932. Nesse dia, elas adquiriram o direito de voto por meio de um decreto presidencial de Getulio Vargas. Tal conquista seria impossível durante a República Velha, já que na Constituinte de 1891 o voto feminino foi negado sob o argumento de que seria um estímulo ao fim das famílias.Ainda no final do século 19, novos ventos sopravam de regiões distantes. O primeiro país a garantir o direito de voto para as mulheres foi a Nova Zelândia, em 1893. A primeira mulher eleita para o Parlamento tomou posse na Finlândia em 1907. O Brasil, que foi o último país a eliminar a escravidão oficial, não poderia ficar imune a essas novidades nem ser o último a negar cidadania às mulheres.Todavia, até os dias de hoje, as mulheres não ocuparam um espaço merecido na política. Elas podem sufragar seus irmãos, maridos e outros homens, mas um reduzido número tem conseguido um mandato eletivo. Poucas podem legislar e executar.Como os descendentes dos escravos afro-brasileiros que conseguiram a alforria, mas não deixaram de ser socialmente excluídos, as mulheres conquistaram a liberdade de escolha, mas não a liberdade de serem efetivamente escolhidas.Conhecendo essa realidade iníqua, que não é exclusiva do Brasil, a 4ª Conferência Internacional das Mulheres, ocorrida em Pequim, em 1995, recomendou, além de normas jurídicas para o combate à discriminação, medidas e ações voltadas para a promoção da igualdade. É esse raciocínio que fundamenta as políticas de ação afirmativa como medidas temporárias e especiais de proteção a grupos sociais excluídos, visando a promover sua ascensão na sociedade até um nível aceitável de equiparação aos demais grupos historicamente privilegiados. O sucesso das ações afirmativas e das políticas de cotas fez a participação feminina crescer em muitos países. Contudo, no Brasil, a lei nº 9.504/97, que reserva 30% das vagas para as mulheres, torna-se letra morta ao não obrigar os partidos a preencher a lista com candidaturas femininas. É uma reserva vazia.Diversas pesquisas de opinião têm mostrado que o eleitorado brasileiro considera as mulheres preparadas para assumir cargos públicos. Contudo, para entrar de maneira efetiva na disputa eleitoral e chegar ao Parlamento municipal, estadual ou federal, é preciso passar por um verdadeiro vestibular que afunila as chances de uma mulher ser candidata bem-sucedida. E, o pior, nesse vestibular, os critérios de escolha não são baseados no mérito, mas na lógica da hierarquia partidária. Infelizmente, a maioria dos partidos políticos brasileiros herdou práticas sexistas e abre espaços para as mulheres apenas como formiguinhas que trabalham muito nas bases, mas que raramente são aceitas como companheiras de poder na hora de decidir candidaturas e ocupação de cargos públicos.Nesse quadro, temos uma espécie de paradoxo: enquanto cresce a aprovação popular ao desempenho das mulheres nas atividades públicas e o eleitorado se mostra disposto a referendar, no voto, a igualdade de gênero, os partidos políticos pouco fazem para se adaptar a essa nova realidade.Para o próximo ano, está posta, pela primeira vez de forma competitiva, uma candidatura feminina à Presidência da República. Para além dos posicionamentos político-partidários, é salutar a novidade. Resta saber se será um fato isolado ou se irá se espraiar para os demais cargos eletivos para que o Brasil saia da lanterninha do ranking mundial da participação feminina na política.
JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES , doutor em demografia pelo Cedeplar-UFMG, é professor titular da Ence/IBGE (Escola Nacional de Ciências Estatísticas, ligada à Fundação Instituto de Geografia e Estatística). Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (2007-2008).
(8/3/2009)
Folha de São Paulo
JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES
Enquanto a aprovação popular às mulheres nas atividades públicas cresce, os partidos pouco fazem para se adaptar a essa realidade
MUITAS pessoas perguntam: para que serve o Dia Internacional da Mulher?Serve, por exemplo, para debater o déficit democrático de gênero, o pouco espaço das mulheres nas instâncias de poder e o fato de a presença feminina na política formal não ser proporcional à importância que as mulheres possuem na sociedade.Elas são maioria da população e do eleitorado, mas só representam 9% da Câmara Federal e cerca de 12% dos assentos nas Assembleias Legislativas. São, aproximadamente, 12% das Câmaras municipais e 9% dos Executivos municipais. O pátrio domínio do Legislativo, que vem desde a origem da República, tem se perpetuado pelos mecanismos da reeleição dos homens e do controle masculino sobre as direções dos partidos políticos.A exclusão das mulheres da política começou a mudar no dia 24 de fevereiro de 1932. Nesse dia, elas adquiriram o direito de voto por meio de um decreto presidencial de Getulio Vargas. Tal conquista seria impossível durante a República Velha, já que na Constituinte de 1891 o voto feminino foi negado sob o argumento de que seria um estímulo ao fim das famílias.Ainda no final do século 19, novos ventos sopravam de regiões distantes. O primeiro país a garantir o direito de voto para as mulheres foi a Nova Zelândia, em 1893. A primeira mulher eleita para o Parlamento tomou posse na Finlândia em 1907. O Brasil, que foi o último país a eliminar a escravidão oficial, não poderia ficar imune a essas novidades nem ser o último a negar cidadania às mulheres.Todavia, até os dias de hoje, as mulheres não ocuparam um espaço merecido na política. Elas podem sufragar seus irmãos, maridos e outros homens, mas um reduzido número tem conseguido um mandato eletivo. Poucas podem legislar e executar.Como os descendentes dos escravos afro-brasileiros que conseguiram a alforria, mas não deixaram de ser socialmente excluídos, as mulheres conquistaram a liberdade de escolha, mas não a liberdade de serem efetivamente escolhidas.Conhecendo essa realidade iníqua, que não é exclusiva do Brasil, a 4ª Conferência Internacional das Mulheres, ocorrida em Pequim, em 1995, recomendou, além de normas jurídicas para o combate à discriminação, medidas e ações voltadas para a promoção da igualdade. É esse raciocínio que fundamenta as políticas de ação afirmativa como medidas temporárias e especiais de proteção a grupos sociais excluídos, visando a promover sua ascensão na sociedade até um nível aceitável de equiparação aos demais grupos historicamente privilegiados. O sucesso das ações afirmativas e das políticas de cotas fez a participação feminina crescer em muitos países. Contudo, no Brasil, a lei nº 9.504/97, que reserva 30% das vagas para as mulheres, torna-se letra morta ao não obrigar os partidos a preencher a lista com candidaturas femininas. É uma reserva vazia.Diversas pesquisas de opinião têm mostrado que o eleitorado brasileiro considera as mulheres preparadas para assumir cargos públicos. Contudo, para entrar de maneira efetiva na disputa eleitoral e chegar ao Parlamento municipal, estadual ou federal, é preciso passar por um verdadeiro vestibular que afunila as chances de uma mulher ser candidata bem-sucedida. E, o pior, nesse vestibular, os critérios de escolha não são baseados no mérito, mas na lógica da hierarquia partidária. Infelizmente, a maioria dos partidos políticos brasileiros herdou práticas sexistas e abre espaços para as mulheres apenas como formiguinhas que trabalham muito nas bases, mas que raramente são aceitas como companheiras de poder na hora de decidir candidaturas e ocupação de cargos públicos.Nesse quadro, temos uma espécie de paradoxo: enquanto cresce a aprovação popular ao desempenho das mulheres nas atividades públicas e o eleitorado se mostra disposto a referendar, no voto, a igualdade de gênero, os partidos políticos pouco fazem para se adaptar a essa nova realidade.Para o próximo ano, está posta, pela primeira vez de forma competitiva, uma candidatura feminina à Presidência da República. Para além dos posicionamentos político-partidários, é salutar a novidade. Resta saber se será um fato isolado ou se irá se espraiar para os demais cargos eletivos para que o Brasil saia da lanterninha do ranking mundial da participação feminina na política.
JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES , doutor em demografia pelo Cedeplar-UFMG, é professor titular da Ence/IBGE (Escola Nacional de Ciências Estatísticas, ligada à Fundação Instituto de Geografia e Estatística). Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (2007-2008).
Marcadores:
Mulheres no espaço de poder
Participação da mulher no mercado formal cresce mais que a dos homens
Houve aumento de 7,5% da força de trabalho feminina no mercado formal, percentual superior à taxa de crescimento dos homens, que foi de 6,62% em 2007. Esses são dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do ano passado, divulgados esta quinta-feira (06).
O destaque segundo grau de instrução ocorreu no nível Ensino Médio Completo: 1,438 milhão de postos ou crescimento de 11,59%. Em números absolutos, este resultado representa 58,6% da criação de postos de trabalhos formais em 2007 e, em termos relativos, situa-se 66% acima da taxa média nacional (+6,98%). Ao avaliar o Ensino Médio Completo por gênero, observa-se que os homens registraram uma taxa de crescimento neste nível de escolaridade da ordem de 13,08%, a maior dentre todos os graus, correspondendo a um incremento de 873,6 mil empregos, enquanto que as mulheres evidenciaram uma elevação de 9,85% no número de vínculos empregatícios, o que representou um incremento de 564,8 mil postos de trabalho.
A maior taxa de crescimento dos vínculos empregatícios das mulheres ocorreu no nível Superior Completo (+12,88%), bem acima a dos homens (+7,78%). Em termos absolutos, estes percentuais representam uma geração de 394,3 mil empregos formais femininos, superior em 130% ao obtido pelos homens (+171,6 mil postos).
"Esse resultado demonstra que quanto maior o nível de escolaridade, mais mulheres estão no mercado de trabalho. O dado negativo é que mesmo assim, com melhor escolaridade e por estar em número maior nesta faixa, ela ganha bem menos do que o homem. O que é uma prova de que ainda temos discriminação no país. O importante da Rais é que ela faz uma radiografia real, mostrando inclusive os preconceitos ainda existentes", destacou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, durante entrevista coletiva.
Remuneração - Foi registrado aumento no rendimento médio real dos trabalhadores formais de 0,68% em 2007, quando comparado ao ano de 2006, ao passar de R$ 1.346,77 para R$ 1.355,89, a preços de dezembro de 2007. Esta elevação do rendimento médio oculta variações que oscilam entre 4,70% no Acre e 3,12% em Goiás a -6,71% em Roraima e -3,54% no Distrito Federal.
Os aumentos das remunerações médias, verificadas no Acre e Goiás, podem ser atribuídas aos ganhos reais obtidos pelos trabalhadores nos subsetores de Serviços Industriais e Utilidade Pública e Ensino, no Acre; e nos ramos da Indústria Mecânica e de Calçados, em Goiás.
As perdas registradas em Roraima e no Distrito Federal estão relacionadas às diminuições dos rendimentos médios nos setores da Administração Pública e na Indústria de Produtos Alimentícios em Roraima e, no caso do Distrito Federal, no segmento do Ensino e na Administração Pública.
Homens x mulheres - O aumento no rendimento médio dos homens (+0,79%) foi superior ao percebido pelas mulheres (+0,56%), comportamento inverso ao ocorrido nos três últimos anos. Este resultado está fortemente influenciado pela queda da remuneração feminina no grau de escolaridade Superior Completo (-0,63%), que pode estar relacionado com o aumento expressivo do emprego deste contingente de trabalhadoras (+12,88%), o maior aumento dentre os níveis de escolaridade citados anteriormente.
Neste contexto, a proporção dos salários médios das mulheres em relação aos dos homens ficou em 82,8% em 2007, demonstrando uma leve redução em relação a 2006, que foi de 83%. Este fato reverteu um crescimento gradativo que vinha ocorrendo nos três anos anteriores, já que em 2004 foi de 81,2%, e em 2005 foi de 82,1%.
Setores - Entre os setores de atividade econômica, o maior percentual de aumento foi obtido pelos trabalhadores do setor Agrícola (+4,60%), seguidos pelos da Construção Civil (+3,98%) e os do Ensino (+3,83%). Os percentuais de queda na remuneração média ocorreram nos Serviços de Alojamento, Alimentação e Reparação (-2,82%) e na Indústria de Material Elétrico e Comunicações (-2,17%).
As informações por tamanho de estabelecimento evidenciam que nos extratos até 249 vínculos ativos houve aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores, devendo destacar aqueles estabelecimentos com até 4 empregos, que registraram um ganho real de 2,12%. Em contrapartida, os extratos com mais de 250 empregos assinalaram perda dos rendimentos médios reais de seus trabalhadores, merecendo destaque aqueles com mais de mil vínculos ativos que apontaram uma redução de 1,06%.
O que é a Rais? A Relação Anual de Informações Sociais é um Registro Administrativo criado pelo Decreto nº 76.900/75, com declaração anual e obrigatória para todos os estabelecimentos existentes no território nacional. As informações captadas sobre o mercado de trabalho formal referem-se aos empregados Celetistas, Estatutários, Avulsos, Temporários, dentre outros, segundo remuneração, grau de instrução, ocupação, nacionalidade e informações dos estabelecimentos relativos à atividade econômica, área geográfica, etc.
Criada com fins operacionais/fiscalizadores e estatísticos, atualmente a principal função operacional da Rais é identificar os trabalhadores com direito ao recebimento do benefício do Abono Salarial. Em 2007, foram identificados 15, 129 milhões de trabalhadores com direito ao benefício ante 14,189 milhões em 2006.
O destaque segundo grau de instrução ocorreu no nível Ensino Médio Completo: 1,438 milhão de postos ou crescimento de 11,59%. Em números absolutos, este resultado representa 58,6% da criação de postos de trabalhos formais em 2007 e, em termos relativos, situa-se 66% acima da taxa média nacional (+6,98%). Ao avaliar o Ensino Médio Completo por gênero, observa-se que os homens registraram uma taxa de crescimento neste nível de escolaridade da ordem de 13,08%, a maior dentre todos os graus, correspondendo a um incremento de 873,6 mil empregos, enquanto que as mulheres evidenciaram uma elevação de 9,85% no número de vínculos empregatícios, o que representou um incremento de 564,8 mil postos de trabalho.
A maior taxa de crescimento dos vínculos empregatícios das mulheres ocorreu no nível Superior Completo (+12,88%), bem acima a dos homens (+7,78%). Em termos absolutos, estes percentuais representam uma geração de 394,3 mil empregos formais femininos, superior em 130% ao obtido pelos homens (+171,6 mil postos).
"Esse resultado demonstra que quanto maior o nível de escolaridade, mais mulheres estão no mercado de trabalho. O dado negativo é que mesmo assim, com melhor escolaridade e por estar em número maior nesta faixa, ela ganha bem menos do que o homem. O que é uma prova de que ainda temos discriminação no país. O importante da Rais é que ela faz uma radiografia real, mostrando inclusive os preconceitos ainda existentes", destacou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, durante entrevista coletiva.
Remuneração - Foi registrado aumento no rendimento médio real dos trabalhadores formais de 0,68% em 2007, quando comparado ao ano de 2006, ao passar de R$ 1.346,77 para R$ 1.355,89, a preços de dezembro de 2007. Esta elevação do rendimento médio oculta variações que oscilam entre 4,70% no Acre e 3,12% em Goiás a -6,71% em Roraima e -3,54% no Distrito Federal.
Os aumentos das remunerações médias, verificadas no Acre e Goiás, podem ser atribuídas aos ganhos reais obtidos pelos trabalhadores nos subsetores de Serviços Industriais e Utilidade Pública e Ensino, no Acre; e nos ramos da Indústria Mecânica e de Calçados, em Goiás.
As perdas registradas em Roraima e no Distrito Federal estão relacionadas às diminuições dos rendimentos médios nos setores da Administração Pública e na Indústria de Produtos Alimentícios em Roraima e, no caso do Distrito Federal, no segmento do Ensino e na Administração Pública.
Homens x mulheres - O aumento no rendimento médio dos homens (+0,79%) foi superior ao percebido pelas mulheres (+0,56%), comportamento inverso ao ocorrido nos três últimos anos. Este resultado está fortemente influenciado pela queda da remuneração feminina no grau de escolaridade Superior Completo (-0,63%), que pode estar relacionado com o aumento expressivo do emprego deste contingente de trabalhadoras (+12,88%), o maior aumento dentre os níveis de escolaridade citados anteriormente.
Neste contexto, a proporção dos salários médios das mulheres em relação aos dos homens ficou em 82,8% em 2007, demonstrando uma leve redução em relação a 2006, que foi de 83%. Este fato reverteu um crescimento gradativo que vinha ocorrendo nos três anos anteriores, já que em 2004 foi de 81,2%, e em 2005 foi de 82,1%.
Setores - Entre os setores de atividade econômica, o maior percentual de aumento foi obtido pelos trabalhadores do setor Agrícola (+4,60%), seguidos pelos da Construção Civil (+3,98%) e os do Ensino (+3,83%). Os percentuais de queda na remuneração média ocorreram nos Serviços de Alojamento, Alimentação e Reparação (-2,82%) e na Indústria de Material Elétrico e Comunicações (-2,17%).
As informações por tamanho de estabelecimento evidenciam que nos extratos até 249 vínculos ativos houve aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores, devendo destacar aqueles estabelecimentos com até 4 empregos, que registraram um ganho real de 2,12%. Em contrapartida, os extratos com mais de 250 empregos assinalaram perda dos rendimentos médios reais de seus trabalhadores, merecendo destaque aqueles com mais de mil vínculos ativos que apontaram uma redução de 1,06%.
O que é a Rais? A Relação Anual de Informações Sociais é um Registro Administrativo criado pelo Decreto nº 76.900/75, com declaração anual e obrigatória para todos os estabelecimentos existentes no território nacional. As informações captadas sobre o mercado de trabalho formal referem-se aos empregados Celetistas, Estatutários, Avulsos, Temporários, dentre outros, segundo remuneração, grau de instrução, ocupação, nacionalidade e informações dos estabelecimentos relativos à atividade econômica, área geográfica, etc.
Criada com fins operacionais/fiscalizadores e estatísticos, atualmente a principal função operacional da Rais é identificar os trabalhadores com direito ao recebimento do benefício do Abono Salarial. Em 2007, foram identificados 15, 129 milhões de trabalhadores com direito ao benefício ante 14,189 milhões em 2006.
Marcadores:
Geração trabalho e renda
Assinar:
Postagens (Atom)