Campanha eleitoral começa oficialmente: candidatas à presidência têm 49% das intenções de voto, mas menor intenção de escolha entre as mulheres
Sexta, 09 de Julho de 2010
A segunda-feira, dia 05/07, foi o prazo final para o registro de candidaturas às Eleições 2010. Os nomes, agora, estão sendo analisados pela Justiça Eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral recebeu o pedido de registro de nove nomes de candidatas/os à Presidência da República. São eles: Marina Silva e Guilherme Leal (PV), Dilma Rousseff e Michel Temer (Coligação Para o Brasil Seguir Mudando – PT, PMDB), Rui Costa Pimenta e Edson Dorta Silva (PCO), Levy Fidelix e Luiz Eduardo Ayres Duarte (PRTB), José Maria de Almeida e Cláudia Alves Durans (PSTU), José Serra e Índio da Costa (Coligação O Brasil Pode Mais – PSDB, DEM), José Maria Eymael e José Paulo da Silva Neto (PSDC), Plínio Arruda Sampaio e Hamilton Moreira de Assis (PSOL) e Ivan Pinheiro e Edmilson Silva Costa (PCB).
De acordo com estes dados, as duas mulheres candidatas representam 22,22% dos registros e têm, juntas, quase 50% das intenções de votos, Dilma Rousseff aparece empatada com José Serra com 39%, e Marina Silva tem 10%, de acordo com a última pesquisa Ibope realizada nacionalmente com 2002 pessoas entre os dias 27 e 30 de junho.
A pesquisa também avaliou as intenções de voto em um possível segundo turno. Dilma Rousseff e José Serra também estão empatados em 43%. Apesar de ser a primeira vez que candidatas alcançam tais patamares, o Ibope e outras pesquisas anteriores mostram que as intenções de votos das mulheres na candidata com maior possibilidade de vencer são menores em relação ao candidato com o qual está empatada.
Na pesquisa em questão, Dilma tem 44% entre os eleitores e 34% entre as eleitoras, enquanto Serra tem 36% entre o eleitorado feminino e 41% entre o eleitorado masculino. As eleitoras indecisas, 9% - índice maior que o de eleitores, 5%, é que fazem a diferença.
Parece intrigante o fato de homens demonstrarem maior preferência em votar em uma mulher e, ao contrário, as mulheres terem menor intenção de votar na candidata, mas este último fato tem despertado maiores debates.
Recentemente, o professor e demógrafo, José Eustáquio Diniz Alves, titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE, chamou a atenção para a mudança do perfil do eleitorado brasileiro, que está envelhecendo e se feminilizando. As eleitoras já superam em 5 milhões os homens aptos a votar, verificando-se um crescimento de aproximadamente 100% da força eleitoral feminina em pouco mais de 20 anos, passando de 37 milhões, em 1988, para 70 milhões de eleitoras em 2010.
Segundo Alves, principalmente as mulheres “balzaquianas”, de 35 anos ou mais, “vão ter um peso cada vez maior no processo eleitoral brasileiro, influindo na decisão do voto e na agenda dos candidatos. Eu tenho absoluta certeza de que as 5 milhões de mulheres podem decidir as eleições presidenciais de 2010. Só não sei em quem elas preferirão votar, e se a decisão delas será a favor de uma mulher ou a favor de um homem”.
No artigo “A Reversão das Expectativas de Gênero nas Eleições 2010: Dilma na Frente entre os Homens e Serra na Frente entre as Mulheres” (2010), José Eustáquio diz que este poder do voto feminino já foi comprovado nas duas últimas eleições presidenciais. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tivesse tido a mesma votação entre o eleitorado feminino como teve entre o eleitorado masculino, ele teria ganhado no primeiro turno, tanto em 2002 quanto em 2006. “De certa forma, foram as mulheres que jogaram a decisão para o segundo turno, nas duas últimas eleições presidenciais”.
Ao contrário de Lula, “esperava-se uma diferença menor no caso da candidatura Dilma, pois sendo mulher, ela poderia ter uma maior identidade de gênero com o eleitorado feminino. Mas isto não aconteceu, pelo menos por enquanto”. Já Marina, ressalta Alves, ao contrário de Dilma, possui aproximadamente o mesmo percentual de intenções de voto entre o eleitorado de ambos os sexos, inclusive com ligeira vantagem entre as mulheres.
As maiores taxas de indefinição do voto das mulheres e o possível fato de serem mais exigentes na escolha da/do candidata(o) estão entre as possíveis explicações para o menor percentual de intenção de voto feminino, segundo o artigo. “Nesta perspectiva, as mulheres teriam maiores taxas de indefinição porque gostariam de conhecer melhor as candidaturas à presidência. Desta forma, a menor percentagem de votos em Dilma Rousseff seria parte de um comportamento de precaução na escolha do voto, por parte das mulheres, em decorrência da candidata ser novata na política e pouco conhecida do público feminino”.
Em outro artigo, “O Poder do Voto Feminino” (2010), a socióloga Fátima Pacheco Jordão, especialista em pesquisas de opinião, fundadora do Instituto Patrícia Galvão e assessora de pesquisa da “TV Cultura”, também analisa o fato. O texto foi elaborado no contexto do Projeto “Mulheres em Espaços de Poder e Decisão” do Instituto Patrícia Galvão, que tem o objetivo de analisar a percepção das mulheres enquanto eleitoras, com base nos levantamentos sobre intenção de voto realizados por institutos de pesquisa de opinião para as eleições 2010 e eleições de anos anteriores.
“Historicamente tem-se observado que as mulheres aguardam que o quadro de informações das campanhas esteja mais completo e só se interessam mais fortemente pelas eleições quando o horário eleitoral gratuito começa e os debates entre os candidatos são realizados. Mais ainda, as eleitoras ficam na expectativa de algo que afete diretamente a vida da população, como propostas para a saúde, educação, desemprego e segurança, entre outras. Pela experiência das campanhas anteriores, sabe-se que esse processo de tomada de decisão sobre intenção de voto se dá mais consistentemente durante o período de propaganda eleitoral gratuita”.
A socióloga cita o fato do voto feminino ter leva do ao segundo turno as eleições de 2006, porque as mulheres mostravam que ainda precisavam de uma segunda rodada de campanha para escolher seu candidato. Em 2006, na véspera do pleito, 19% das mulheres e 12% dos homens ainda estavam indecisos, situação repetida em várias eleições no passado.
Tal situação é a mesma apresentada em 2010, segundo o artigo de Fátima Jordão: mulheres aguardando as próximas etapas do processo e homens mais definidos em suas escolhas. Na pesquisa Ibope realizada no fim de maio, verifica-se na resposta espontânea que 36% estão indecisos, sendo 40% mulheres e 32% homens. Ou seja, o padrão observado se confirma neste estágio da campanha.
Há um mito arraigado, na mídia e no imaginário popular, de que mulher não vota em mulher, já que a grande maioria dos postos de poder é ocupado por homens. Esta ideia não se sustenta, pois em diversos países em que mulheres apresentaram candidaturas fortes, elas obtiveram votação expressiva, de eleitoras e eleitores. Na América Latina há os exemplos recentes e bem sucedidos das presidentes Laura Chinchilla (Costa Rica), Michelle Bachelet (Chile) e Cristina Kirchner (Argentina), afirma a socióloga.
“É importante lembrar que não faltam eleitoras que votem em mulheres, mas sim candidaturas femininas com estrutura partidária, apoio efetivo em termos de recursos, infraestrutura e tempo no horário de propaganda eleitoral. Historicamente, os partidos políticos são espaços de poder masculino”, segundo Fátima Jordão.
Ela também analisa os temas que mais interessam eleitoras e eleitores, podendo interferir em suas intenções de voto. Os homens mostram maior interesse pela esfera do jogo de poder (eleições, preferência partidária e conversa sobre política) e as mulheres estão mais sensíveis a políticas públicas nas áreas de educação e saúde.
“Nesta fase de pré-campanha que se encerra, os temas de maior visibilidade estavam ligados aos bastidores da política – alianças partidárias, composição de chapas, lutas internas entre aliados – que mobilizam mais os eleitores homens. Daqui para frente, começam a entrar nas campanhas os conteúdos de políticas públicas, que ganham mais a atenção das eleitoras. Nesta última fase, as mulheres se engajam mais fortemente, e as candidaturas poderão se beneficiar destas características do processo eleitoral”. A partir de agora, “os eleitores e, sobretudo, as eleitoras, terão olhos mais abertos para as campanhas. As propostas dos candidatos ganham mais foco nos debates, na propaganda e nos discursos. E as duas candidatas e os nove candidatos terão que olhar mais para as mulheres. Assim sempre foi e assim será nas eleições de 2010”.
Acesse os artigos na íntegra na seção de “Estudos e Pesquisas” do site www.maismulheresnopoderbrasil.com.br
Feminização e Envelhecimento do Eleitorado e as Eleições 2010
Autoria: José Eustáquio Diniz Alves
Ler arquivo
A Reversão das Expectativas de Gênero nas Eleições 2010: Dilma na Frente entre os Homens e Serra na Frente entre as Mulheres
Autoria: José Eustáquio Diniz Alves
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O Poder do Voto Feminino
Autoria: Fátima Pacheco Jordão
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domingo, 11 de julho de 2010
NOVA AGENCIA DE GENERO DA ONU
Criada nova agência de gênero da ONU
Segunda, 05 de Julho de 2010
Irá se chamar ONU Mulheres a nova entidade criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a igualdade de gênero e empoderamento das mulheres. O comunicado oficial foi feito na última sexta-feira, dia 02/07, em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Aprovada por unanimidade, a nova agência é resultado de anos de negociações entre Estados-membros e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo, e faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas.
A ONU Mulheres pretende ser uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Terá uma subsecretária-geral para dirigi-la, que será nomeada pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, nome que aguarda sugestões dos Estados-membros e parceiros da sociedade civil para ser definido. A subsecretária-geral será membro de todas as instâncias superiores de decisão da ONU e apresentará relatórios ao secretário-geral.
A nova agência será construída a partir do trabalho de quatro instâncias da ONU, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres: a Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946); o Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criado em 1976); o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criado em 1976); e o Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criado em 1997).
Ban Ki-moon felicitou os dirigentes e funcionários das quatro agências citadas acima pelo seu compromisso com a causa da igualdade de gênero e disse contar com o apoio dos mesmos para a entrada em uma nova era no trabalho da ONU para as mulheres. "Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", afirmou.
A meta para o início do funcionamento operacional da ONU Mulheres é em janeiro de 2011. A entidade terá como principais funções apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, ajudando os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O objetivo é melhorar e não substituir os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
O orçamento da nova agência será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões, cerca de R$ 900 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
Em comunicado à imprensa, o UNIFEM afirma o reconhecido trabalho em prol das mulheres, “durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres”. Ressalta que a igualdade de gênero, além de um direito humano básico, tem grande implicações socioeconômicas. “O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento”.
Entretanto, “as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global”. A criação da ONU Mulheres pretende melhorar este trabalho pelo fim das desigualdades, já que própria ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, com a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar suas atividades em questões de igualdade de gênero.
Inés Alberdi, diretora-executiva do UNIFEM, também ressaltou as dificuldades encontradas nos últimos anos no esforço para apoiar os países a implementar os compromissos de igualdade entre mulheres e homens, “em parte em razão de investimentos insuficientes e em parte porque não havia um catalisador único reconhecido para comandar a resposta da ONU em prol da igualdade de gênero. Esta é a razão pela qual nos unimos à convocação dos Estados-membros e dos defensores dos direitos da mulher para fortalecer o sistema da ONU de modo que dê um respaldo ainda mais firme para o alcance da igualdade entre os gêneros”.
Segundo Alberdi, esta pode ser a oportunidade para acabar com a violência contra as mulheres, aumentar a participação política feminina e priorizar a liderança das mulheres nos processos de paz e segurança. Tais assuntos ainda não receberam a devida atenção ou foram trabalhados com eficácia pela ONU e parcerias nacionais, regionais e mundiais. O obj etivo agora é proporcionar uma resposta mais firme em termos de políticas públicas aos assuntos relacionados aos direitos das mulheres.
Acesse o site da ONU Mulheres: http://www.unwomen.org/
Segunda, 05 de Julho de 2010
Irá se chamar ONU Mulheres a nova entidade criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a igualdade de gênero e empoderamento das mulheres. O comunicado oficial foi feito na última sexta-feira, dia 02/07, em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Aprovada por unanimidade, a nova agência é resultado de anos de negociações entre Estados-membros e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo, e faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas.
A ONU Mulheres pretende ser uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Terá uma subsecretária-geral para dirigi-la, que será nomeada pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, nome que aguarda sugestões dos Estados-membros e parceiros da sociedade civil para ser definido. A subsecretária-geral será membro de todas as instâncias superiores de decisão da ONU e apresentará relatórios ao secretário-geral.
A nova agência será construída a partir do trabalho de quatro instâncias da ONU, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres: a Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946); o Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criado em 1976); o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criado em 1976); e o Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criado em 1997).
Ban Ki-moon felicitou os dirigentes e funcionários das quatro agências citadas acima pelo seu compromisso com a causa da igualdade de gênero e disse contar com o apoio dos mesmos para a entrada em uma nova era no trabalho da ONU para as mulheres. "Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", afirmou.
A meta para o início do funcionamento operacional da ONU Mulheres é em janeiro de 2011. A entidade terá como principais funções apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, ajudando os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O objetivo é melhorar e não substituir os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
O orçamento da nova agência será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões, cerca de R$ 900 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
Em comunicado à imprensa, o UNIFEM afirma o reconhecido trabalho em prol das mulheres, “durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres”. Ressalta que a igualdade de gênero, além de um direito humano básico, tem grande implicações socioeconômicas. “O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento”.
Entretanto, “as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global”. A criação da ONU Mulheres pretende melhorar este trabalho pelo fim das desigualdades, já que própria ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, com a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar suas atividades em questões de igualdade de gênero.
Inés Alberdi, diretora-executiva do UNIFEM, também ressaltou as dificuldades encontradas nos últimos anos no esforço para apoiar os países a implementar os compromissos de igualdade entre mulheres e homens, “em parte em razão de investimentos insuficientes e em parte porque não havia um catalisador único reconhecido para comandar a resposta da ONU em prol da igualdade de gênero. Esta é a razão pela qual nos unimos à convocação dos Estados-membros e dos defensores dos direitos da mulher para fortalecer o sistema da ONU de modo que dê um respaldo ainda mais firme para o alcance da igualdade entre os gêneros”.
Segundo Alberdi, esta pode ser a oportunidade para acabar com a violência contra as mulheres, aumentar a participação política feminina e priorizar a liderança das mulheres nos processos de paz e segurança. Tais assuntos ainda não receberam a devida atenção ou foram trabalhados com eficácia pela ONU e parcerias nacionais, regionais e mundiais. O obj etivo agora é proporcionar uma resposta mais firme em termos de políticas públicas aos assuntos relacionados aos direitos das mulheres.
Acesse o site da ONU Mulheres: http://www.unwomen.org/
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