sexta-feira, 16 de abril de 2010

MULHERES JÁ SÃO 34,9%DAS CHEFES DE FAMILIA

Mulheres já são 34,9% das chefes de família
Quinta, 15 de Abril de 2010


As mulheres são 100 milhões de trabalhadoras em toda a América Latina e Caribe. Entre 1990 e 2008, a participação feminina no mercado de trabalho passou de 32% para 53% na região. Estes são dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgados no relatório “Trabalho e Família: rumo a novas formas de conciliação com responsabilidade social”.

Além da inserção maciça de mulheres no mercado de trabalho, outra mudança é visível nas famílias, causada principalmente por profundas transformações sociais e demográficas. Houve um incremento de domicílios com apenas uma pessoa responsável, quase sempre uma mulher, um menor número de filhos e o aumento de pessoas idosas.

A proporção de famílias hoje encabeçadas por mulheres representa, em média, 30% do total de lares da região. Em alguns países, como a Nicarágua, chega a 40%. No Brasil, 34,9% das famílias já são chefiadas por mulheres, segundo o último levantamento da OIT. E este percentual cresceu bastante na última década, passando de 25,9% para os atuais 34,9% entre 1998 e 2008.

Os dados citados nos levam a pensar, num primeiro momento, em uma condição positiva para as mulheres. Segundo a OIT/PNUD, “o trabalho não é apenas um recurso econômico, mas também um meio de desenvolvimento de necessidades sociais, auto-estima e espaços próprios. A maior participação feminina no mercado de trabalho e a geração de renda própria redundam também em um aumento do nível de autonomia das mulheres, maior satisfação com suas vidas e melhoria de seu poder de negociação no interior da família”. Elementos culturais ainda estão envolvidos nesse processo, como o reconhecimento de direitos, maior presença na esfera pública, aumento do nível educacional e maiores expectativas de desenvolvimento autônomo.

Mas o estudo mostra que nos domicílios monoparentais - onde uma só pessoa adulta tem a família a seu cargo - liderados por mulheres, apesar de 52% a 77% das chefes de família estarem no mercado de trabalho, tais domicílios tendem a ser mais pobres. Em 11 dos 18 países da região, a incidência de extrema pobreza é superior nesses lares. A principal razão é o fato destas mulheres enfrentarem enormes dificuldades para combinar o trabalho doméstico e de cuidado com as atividades remuneradas.

Diante dessa difícil conciliação sem a ajuda de outros adultos, as mulheres vão receber menores salários. Também frente à insuficiência de oferta de serviços pré-escolares, elas precisam buscar alternativas que geralmente vão em detrimento do cuidado de seus filhos e filhas ou do trabalho em que se inserem.

Em entrevista ao site www.maismulheresnopoderbrasil.com.br em 2009, a escritora, professora e feminista, Rosiska Darcy de Oliveira, afirmou que o aumento do número de chefes de família é um imenso problema para as mulheres e que não deve ser festejado de maneira alguma.

“Entendo porque se festeja, pois significa dizer que a mulher se sustenta, mas não é normal que a mulher se sustente e com sua saída para o mercado de trabalho ter que sustentar a sua família. Isso não é prova de avanço nenhum. Que as mulheres estejam em igualdade de condições com os homens participando do sustento de suas famílias, acho normal e uma razão de comemorar. Que elas estejam sozinhas carregando esta carga de manutenção da família, acho uma aberração”.

Portanto, os custos da inexistência de políticas conciliatórias são grandes, e o esforço para conciliar vida familiar e laboral gera enorme tensão. Também leva a problemas de saúde, acidentes de trabalho, perda de renda para as mulheres, risco de trabalho infantil, sem contar o desperdício de força de trabalho, especialmente feminino, afetando a produtividade e competitividade dos países e debilitando suas trajetórias de crescimento. Há ainda a preocupação com a sobrevivência da própria sociedade, pois as dificuldades estão levando as mulheres a terem menos filhos. A OIT/PNUD ressalta, inclusive, o perigo para a própria democracia e o exercício de cidadania, porque a falta de conciliação restringe a participação feminina na vida pública, como na política.

Segundo a OIT/PNUD, há a necessidade de avanços para promover a co-responsabilidade social, entre mulheres e homens, mas também entre as famílias, Estados, mercados e sociedade. Uma dimensão fundamental para promover a igualdade e combater a pobreza a partir do mundo do trabalho, além de ser indispensável para avançar na construção da equidade de g c;nero.

Acesse o relatório “Trabalho e Família: rumo a novas formas de conciliação com responsabilidade social”

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